Quando acordei para a vida, o movimento e a música já tinham significado especial para mim, pois aos três anos de idade iniciei meus estudos de dança e piano.
Durante minha infância e adolescência, os dois caminharam lado a lado, e, à medida que o tempo passava, mais evidente se tornava minha certeza quanto à busca de aprofundamento, principalmente na teoria da dança e da música.

Em relação à música, além do curso instrumental completo de piano, sete anos de teoria musical fizeram parte do meu aprendizado. Em relação à dança, já não posso dizer o mesmo, pois, apesar da vivência prática bastante profunda, tanto em relação ao balé clássico (base de tudo) quanto a outros estilos e técnicas, sentia a falta de uma teoria consistente em relação à motricidade humana, capaz de explicar como é possível alcançar a perfeição e o total domínio do corpo, transformando-o em verdadeira obra-de-arte.
Essa foi a razão pela qual decidi ingressar na faculdade de Educação Física, em busca de embasamento mais amplo e profundo em relação à motricidade humana. Foi justamente durante a minha vida acadêmica que fiz a ponte entre o movimento e a música, as bases das duas disciplinas que posteriormente eu passaria a ministrar no curso de Licenciatura em Educação Física: Rítmica Aplicada à Educação Física e Dança Educacional. Foram quinze anos de docência universitária, período em que concluí o mestrado.

Nessa mesma época, para minha honra, fui convidada a integrar uma das mais completas equipes de ginástica que já conheci, constituída por professores altamente competentes e de um profissionalismo raro nos dias de hoje. Essa equipe fazia parte da academia Runner Sports, dirigida pelo renomado professor Mauro Guiselini.
Ingressei na Runner ministrando aulas de Ginástica Aeróbica, Dança Aeróbica e Ginástica Localizada. Para minha surpresa, em um determinado dia, o professor Mauro conversando sobre as aulas, incumbiu-me de uma tarefa que se transformaria em um verdadeiro e apaixonante desafio, aproveitar toda a minha vivência e o meu background para encontrar uma forma de desenvolver o parâmetro flexibilidade em uma aula específica (até então, inexistente no mercado). Além disso, esse trabalho seria direcionado ao público em geral, desde os freqüentadores de academia até os atletas das mais diversas modalidades.

Nesse mesmo período, tive o privilégio de assistir, na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo, a uma palestra ministrada pelo prof. Ângelo Gaiarsa, intitulada “Motricidade Humana e Propriocepção”.
Além de emocionada e fascinada com tanto conhecimento e competência, fiquei altamente entusiasmada porque, naquele momento, estava recebendo a resposta que ansiosamente buscava no decorrer de minha vida acadêmica e que com certeza, iria enriquecer e nortear meu trabalho daquele dia em diante. A partir daquele momento, comecei a pesquisar e sistematizar um método capaz de traduzir todo o meu background, minha vivência e minha crença em relação à riqueza do corpo humano e seus movimentos. Foi por intermédio desse desafio que surgiu uma das grandes paixões da minha vida: o método RP2 (1983), o qual venho trabalhando e aprimorando ao longo de 20 anos.

O método RP2 foi apresentado e registrado oficialmente no Encontro Técnico de Academias, Clubes e Associações, ocorrido na Bienal de São Paulo, em novembro de 1988.
Durante esse tempo, passei por experiências que posso classificar como a maior recompensa que um professor pode receber; a resposta dos alunos e seu reconhecimento. Com esse método, tive a oportunidade de ministrar cursos direcionados a pessoas da terceira idade, em parceria com várias unidades do SESC. Ministrei cursos e palestras para profissionais em convenções, cursos de pós-graduação e extensão universitária, além de atuar diretamente em academia, enfrentando os diversos desafios que a área nos apresenta, como, por exemplo, ter em uma mesma aula a participação de um atleta de elite e uma pessoa com sérios problemas de coluna, administrando e dividindo o espaço com outras atividades afins (respeito e ética profissional). Por tudo isso, tenho um orgulho muito grande de ter conseguido, com o Método RP2 deixar registros marcantes ao longo dessa jornada, os quais tenho arquivados não só em meu currículo, mas em minha alma. Gosto de dizer que “ao longo desses anos, venho arrebanhando discípulos, e não fanáticos”.

Gostaria de expressar o meu respeito e carinho pela Runner Sports, onde o método nasceu. Justamente pelo sucesso do RP2, o prof Ricardo D Lia me convidou para desenvolvê-lo também na Companhia Athlética, na qual, para meu orgulho, trabalho até os dias de hoje.